Dólar cai 10,8% em 38 dias e especialista fala em moeda a R$ 3,80

Depois de começar novembro a R$ 5,74, o dólar+0,15% iniciou um forte movimento de queda e encerrou o pregão de segunda-feira (7) cotado a R$ 5,12 – desvalorização de 10,80% em 38 dias. O deslocamento da moeda continua em dezembro: o patamar atual é o menor desde 22 de julho, quando o dólar encerrou o dia cotado a R$ 5,11.

Alguns fatores externos e internos explicam este cenário. Em escala global, a confirmação da vitória de Joe Biden na eleição presidencial americana tirou grande parte da tensão do mercado global e aumentou o apetite ao risco de investidores. Com isso, houve uma busca forte dos estrangeiros por mercados emergentes ainda descontados, mas que possuem boas perspectivas.

Já no ambiente doméstico, o Brasil sinalizou avanço nas reformas, privatizações e manutenção do teto de gastos, o que mostrou controle nos gastos públicos do País e impulsionou ainda mais o fluxo positivo de capital internacional na bolsa local.

Neste cenário, a bolsa brasileira ficou entre as que mais receberam aportes em dólar. Segundo dados da B3 de novembro, o saldo de investimento estrangeiro foi positivo em R$ 31,5 bilhões, valor recorde na contagem mensal desde o início da série histórica, em 1995.

Na prática, como a oferta de dólar no País aumentou, o preço recua. “Quanto mais moeda americana temos dentro do Brasil, menor é a sua cotação”, diz Bruno Madruga, sócio da Monte Bravo Investimentos.

Dólar a R$3,80 em 2021?

Para especialistas do mercado consultados pelo E-Investidor, o saldo de investimento estrangeiro deve continuar positivo até o final de dezembro – até o dia 3, o montante era de R$ 2,616 bilhões. Ao que tudo indica, a moeda americana deve continuar perdendo força frente ao real. “É factível o dólar chegar na casa dos R$ 4 em virtude do forte fluxo de entrada no País”, diz Madruga.

Fabrizio Velloni, economista-chefe da Frente Corretora de Câmbio, projeta que a cotação pode chegar até R$ 4,80 ainda neste ano se o Brasil encaminhar as reformas e as privatizações. E vai além. Segundo ele, a moeda americana pode cair até R$ 3,80 em 2021. “Isso só será possível com o controle total da pandemia e das contas públicas”, diz.

ESTADÃO CONTEÚDO

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